Arquivo de Janeiro, 2007

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Seguiremos Brevemente (espero)

30 Janeiro, 2007

O Whys and Wherefores encontrar-se-á suspenso por tempo indeterminado (que espero ser pouco tempo). Deve-se ao facto de estar iminente uma mudança de casa (o que é sempre chato) e à probabilidade de não existir acesso à Internet no local para o qual me pretendo mudar.

Claro que “tempo indeterminado” expressa uma dúvida relativamente ao período de tempo durante o qual o blogue se encontrará suspenso. Poderá ser três dias ou três meses. Mas fica a promessa da continuidade do Whys and Wherefores, assim que estiverem reunidas circunstâncias favoráveis.

Até já :)

Flávio Santos

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Diálogos com Sophia

27 Janeiro, 2007

Sophia é uma rapariga, na plenitude dos seus 19 anos, com quem mantenho correspondência filosófica. É de facto uma pessoa interessante, que medita activamente sobre as questões pertinentes que certamente já tomaram, em algum ponto do tempo, a alma do leitor de assalto. Entre as questões debatidas, podemos encontrar:

- Qual é o sentido da vida?

- Somos realmente livres?

- O que podemos saber?

- O que é a Verdade?

- O que é a beleza? E a arte?

- O que é real?

(…)

Estas e muitas outras questões, que preenchem animadamente as linhas de cada carta ou diálogo. O produto desses diálogos será apresentado no Whys and Wherefores, na secção «Diálogos com Sophia». Pretende-se abordar, de forma introdutória e despretensiosa, as grandes questões que pautam o pensamento filosófico.

Os leitores poderão ainda deixar questões de índole filosófica, ás quais tentaremos responder, de forma breve e concisa. O endereço de e-mail é o que se segue (em formato gráfico para evitar o spam):

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Liberdade de Expressão?

26 Janeiro, 2007

O semanário marroquino Nichane publicou, no passado dia 9 de Dezembro, um dossier que visava analisar, de uma perspectiva jornalística, algumas piadas populares entre os marroquinos (noukat) que possuem como tema a religião, a sexualidade, e a política.

Assim que a edição viu a luz do dia, iniciou-se uma campanha violenta contra a publicação. No dia 20 de Dezembro, é instaurada uma queixa contra o director do Jornal e contra a autora do dossier, com base na acusação de “ofensa aos valores sagrados”. Mais tarde, nesse dia, o semanário é proíbido (ilegalmente) por decreto do primeiro ministro marroquino.

 

(Via e adaptado de Diário Ateísta)

 

O direito a criticar assiste a qualquer ser humano, livre e consciente. Em Marrocos, é proíbido criticar o Rei e o Islão, assim como a ocupação do Sahara Ocidental por parte deste Estado. Um país no qual o pensamento é amordaçado, e sujeito ás correntes da religião e do Estado, é um país onde é negado um direito que assiste a todos os seres humanos: o direito à liberdade de expressão, de criticar as instituições e, dessa forma, potenciar mudança social.

Vale a pena sublinar que este não é um problema enfrentado unicamente pelo Nichane. Várias publicações marroquinas, que ousam criticar as instituições sociais incorrem na acusação de “ofensa aos valores sagrados”.

É da minha opinião que a liberdade de expressão é, igualmente, um valor fundamental, que não deve ser violado por instituição alguma.

É possível assinar uma petição electrónica, demonstrando solidariedade pela causa do Nichane, ou enviar uma carta ao Embaixador de Marrocos em Portugal (formato .doc, podendo ser imprimida e enviada por correio normal, ou por e-mail).

 

(Publicado simultaneamente em “Hempel’s Ravens“)

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A.H. de Oliveira Marques

26 Janeiro, 2007

Faleceu no dia 23 de Janeiro de 2007 A. H. (António Henrique Rodrigo) de Oliveira Marques, um dos grandes historiadores portugueses.
Este senhor, através da sua vasta obra, exerceu considerável influência no gosto que tomei pela História, desde os primeiros dias. Deixo assim o meu ‘obrigado’, e a minha homenagem sentida.

Artigo na Wikipedia em Língua Portuguesa

Página pessoal de A. H. Oliveira Marques

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Citar Deus

25 Janeiro, 2007

“Muitos moralistas religiosos têm igualmente declarado com frequência que certas práticas são erradas porque contrárias à vontade de Deus. Devemos responder que Deus deveria ser citado com um pouco mais de cautela. Não é fácil estabelecermos qual a vontade de Deus e, falando Deus tão baixinho, é fácil confundirmos as Suas vontades com os nossos conceitos.”

Anthony Weston, “A Arte de Argumentar”, Gradiva, 1996.

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Armas Nucleares: Introdução

22 Janeiro, 2007

…And these atomic bombs which science burst upon the world that night were strange even to the men who used them.

H. G. Wells, The World Set Free, 1914

 

As armas nucleares são, sem sobra de dúvida, a mais destrutiva das tecnologias alguma vez concebidas pelo homem. O potencial destrutivo contido até no mais pequeno dos dispositivos nucleares é suficiente para causar danos significativos, tanto no plano imediato, como a longo prazo.

 

A necessidade é a mãe da invenção, afirmou Platão, na sua República. Nos nossos dias, o leitor pode cruzar diversas estradas europeias, e vislumbrar pelo percurso algumas das imponentes torres de arrefecimento, pertencentes a centrais de energia eléctrica, que usam reactores nucleares como fonte de calor. Mas, na verdade, os primeiros esforços para libertar o poder existente no átomo foram fruto do medo. Medo que os Estados Unidos nutriam relativamente aos esforços empreendidos pela Alemanha Nazi no sentido de desenvolver armas nucleares. Foi neste espírito de medo que se deu inicio ao desenvolvimento das primeiras armas nucleares da história, liderado por uma equipa multinacional, e que culminaria no bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki.

 

Desde o dia em que a fissão nuclear foi descoberta pela humanidade, em 1938, que surgiram várias promessas, que seriam repetidas pelos lábios dos lideres de vários Estados. Uma descoberta efectuada no seio de um mundo confuso, prestes a convergir num dos maiores conflitos armados da humanidade, que tornou possível a concretização de príncipios teóricos numa realidade aterradora, no dia 6 de Agosto de 1945, com o bombardeamento de Hiroshima, por parte dos Estados Unidos.

A União Soviética, emergente da II Guerra Mundial enquanto superpotência económica e militar, seguiu rapidamente na senda dos Estados Unidos, empreendendo esforços científicos e de espionagem, que culminariam no primeiro teste atómico soviético, em 1949.

A arma nuclear adquiriu um papel importante durante a Guerra Fria, com as duas superpotências a manipular o poder do átomo enquanto elemento dissuasor. Com o advento de tecnologia fiável de propulsão, surgiu a possibilidade de, quase sem aviso prévio, bombardear qualquer ponto no globo. Este facto deu origem à Teoria da Destruição Mútua, uma forma de Equilíbrio de Nash que colocava ambas as potências em xeque, obrigando-as a considerar extensivamente qualquer ataque nuclear e as suas implicações óbvias – retaliação massiva por parte do oponente, resultando em aniquilação nuclear.

 

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Dossier: Armas Nucleares

21 Janeiro, 2007

A nuclear weapon is a weapon which derives its destructive force from nuclear reactions of fission or fusion. As a result, even a nuclear weapon with a small yield is significantly more powerful than the largest conventional explosives, and a single weapon is capable of destroying an entire city.

Wikipedia: Nuclear Weapon

 

 

Inicia-se neste post o dossier sobre o armamento nuclear. Com o avanço dos ponteiros do famigerado Doomsday Clock até à alarmante posição dos 5 minutos para a meia noite, não existe ocasião mais propícia para iniciar o dossier sobre a tecnologia bélica mais destrutiva que alguma vez concebida pela humanidade.

Este dossier tem como objectivo principal disponibilizar uma fonte de informação sobre a vertente bélica da tecnologia nuclear, aos níveis técnico e histórico, assim como tecer algumas críticas ás medidas promulgadas por alguns governos, que desejam ignorar uma das mais dolorosas lições que a humanidade alguma vez aprendeu, em troca de poder e falsa segurança.

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5 Minutos para a Meia-Noite

20 Janeiro, 2007

 

Faltam cinco minutos para a meia-noite. 

 

Entrada na Wikipedia sobre o  Doomsday Clock

 

E os ponteiros voltam a aproximar-se da temida meia-noite…

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Caveat Lector

15 Janeiro, 2007

O Whys and Wherefores não assume uma posição pró ou contra qualquer problemática. O objectivo deste projecto é colocar questões, por mais incómodas que sejam. Aproximar as questões, de um ponto de vista objectivo, sem ceder a tendencialismos cognitivos.

A série de posts relativos à problemática da Democracia visam analisar a questão a partir de vários pontos de vista. Procura-se, portanto, refutar os argumentos contra a Democracia propostos por Platão (e de outros autores) e, durante o processo, tentar justificar a forma de governo.

Não sou anti-democrático. Pelo contrário, penso que a Democracia (achando mais viáveis e justas as variantes Directa ou por Consenso) não é perfeita, mas é o melhor que temos na actual instância. No entanto, deve-se colocar em questão ‘o melhor que temos na actual instância’ e desbravar caminhos frente a alternativas mais viáveis e justas. E só se pode abrir caminho recorrendo ao pensamento crítico, autónomo, objectivo.

Fica o Caveat Lector.

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O Modelo Democrático Ateniense que moldou o mundo tal como o conhecemos.

14 Janeiro, 2007

(…)


Let me say at the outset that there is another technical word for this democratic theory and it is buncombe. I knew it was buncombe by the time I was old enough to vote, which back in the good old days was 21. How? I had taken no classes in political science or philosophy and had studied only the potted American history they teach in high schools and universities, though the one semester I had taken on the French Revolution might have scared the democratic illusions out of any normal human being. No, for the previous 5 years I had been doing little else in school than read Greek and Latin, but that was enough to tell me that democracy, as used in modern America, was simply a propaganda term for a certain kind of European and American regime that was better than many alternatives, such as Nazism and Communism, but perhaps not as good as the system set up in 1787 in Philadelphia, and that was certainly no democracy.

It is not often commented upon in civics classes, but few of the founding fathers of the American republic were fond of democracy. The exception was Jefferson, but his view of democracy was completely opposite to the American system today, whose centralized and intrusive power would have horrified the poor states-rights Virginian. But Washington, Adams, Hamilton, Madison, and the others were determined, in drawing up the Constitution, to prevent democracy, which they regarded as a kind of mob-rule that ended in tyranny. As Franklin said, when asked what kind of government they had given the nation at Philadelphia, “a republic, if you can keep it.” Any government that has no monarch may be described as a republic, but the word is also used in something of the sense of Aristotle’s word politeia, a constitutional commonwealth, what John Adams to as the rule of law and not of men. As Aristotle also points out, a democracy that elevates the will of the people above the law is really only another kind of tyranny.

Most of the leaders of the Revolution and the framers of the Constitution were classically educated. They had read Plato’s scathing critiques of democracy—Plato says the fate of a just man under a democracy is to be killed. They had also read Aristotle’s more balanced but highly critical analysis of the forms of government and of the process by which they become deformed—how constitutional democracies collapse into a mob tyranny run by political propagandists. Some might have also read a little anti-democratic pamphlet wrongly included in the works of Xenophon. The author of the pamphlet, the “Old Oligarch” as he is known, though he might have been under 30, praises the cynical Athenian democracy for breaking every known moral law in pursuing its own selfish interests. For example, he insists that Athenian democrats have to overthrow the aristocratic governments of their allies because they can only trust politicians who agree with them on policies of looting the rich. This is the first analysis of democratic globalism.

Above all, they would have read the historian Thucydides, who charts the tragic course of Athenian democracy. We are taught in school that Pericles was a great democratic leader who gave Athens its golden age. Thucydides, his younger contemporary, has a more measured view. While he praises Pericles’ intelligence and abilities, he also points out that while they called it democracy, the period of his influence was really the rule of one man-in other words a dictatorship.

For all his capacity and prudence, Pericles made several moves that sealed the doom of his city. First, he drove his moderate and responsible opponents into exile, thus depriving Athens of their considerable talents. Among them were prominent members of Thucydides‘ own family. Second, he radicalized the democracy and ruined the institutions that were designed to prevent mob rule. Third, he insisted simultaneously on fighting a war with Sparta and on turning the Delian Confederacy into the Athenian Empire. In Pericles’ own lifetime, the Athenian democracy brutalized any Greek city that tried to leave the empire, but the worst incident came later, after his death, when mob-orators and demagogues could stir up the Assembly to any crime.

I shall give the story only very briefly, since most of you know probably it. Athens demanded that the tiny island of Melos join the empire. The Melians refused. Unlike the Athenians, they were Dorian Greeks, not Ionians, and they had a longstanding alliance with Sparta. They appealed to law, tradition, and the gods. The Athenians responded with sneering contempt for both law and religion. When the Melians persisted in refusing this offer that could not be refused, Athens conquered the island, killed all the men and enslaved the women and children. This was the greatest of the world’s democracies, the model for democratic states that we are told over and over do now wage aggressive war. As the poet Yeats would say, “they say such different things in school.”

 

(…)

Thomas J. Fleming

 

(Publicado simultaneamente no “Hempel’s Ravens“)

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