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Deus na Causa Formal

7 Março, 2007

Deus é, independentemente das suas propriedades metafísicas, um dispositivo de conveniência e necessidade, que se reflecte na dimensão pessoal e social do ser humano. Pessoal, na medida em que a psicogénese da religião e de Deus se situa na necessidade que o ser humano tem (desde que adquiriu as suas capacidades cognitivas superiores) em explicar o mundo o ambiente envolvente. As ideias e conceitos tradicionalmente associados à existência de um Deus/deuses pessoais (tais como a alma e a imortalidade desta, retenção da identidade, etcetera) são expressões dos um dos medos mais profundos da humanidade (a morte). A psicogénese da religião define-se, assim pelo facto de o ser humano necessitar de adquirir conforto, proveniente de uma rede coerente de explicações do meio envolvente, e do impulso de auto-preservação que é natural a todos os seres vivos.

Assim sendo, parece-me consistente a existência de um dispositivo biológico que se encontre na génese do impulso quase irresistível que aproxima o humano do sobrenatural.

Quando abordamos a questão, podemos assumir duas premissas opostas que influenciam o modo como podemos fazer esta possibilidade coexistir pacificamente com a nossa rede epistemológica:

1. Se assumirmos que Deus não existe, então o facto de existir um mecanismo biológico que subjaz as nossas crenças no sobrenatural não passa disso mesmo: um mecanismo que, tal como todos os outros, serve a directiva de autopreservação.

2. Se assumirmos, por outro lado, a existência de Deus, o facto de existir um mecanismo biológico que, literalmente, nos chama a atenção para a existência de algo divino, é facilmente integrável. Apesar de não ser muito coerente com a maioria das religiões monoteístas, que normalmente dão a conhecer o seu Deus através da Revelação; faz sentido para um panteísta clássico, por exemplo. Deus integra o meio fundamental para que possamos considerá-lo naturalmente, na Causa Formal dos seres humanos (ou seja, os seus genes).

Muitos dos apologistas da Concepção Inteligente não perderão tempo a apontar este facto enquanto prova a posteriori da existência de um ser superior, nomeadamente, o Deus abraâmico. Mas é uma indução fraca, e perde força se aplicarmos os princípios lógicos da Lâmina de Occam: a explicação apresentada em 1) é a mais provável, ao passo que a apresentada em 2) peca por não possuir qualquer dado analisável, por postular uma entidade com base em premissas duvidosas, e acrescentar entidades desnecessárias.

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